Inicia-se amanhã mais uma edição da Série A, o campeonato italiano que já chegou a ser o mais importante do mundo, morada de todas as grandes estrelas e acontecimentos do mundo do futebol, e hoje em dia se vai escondendo abaixo de ligas muito mais atraentes, como a inglesa ou a espanhola, arriscando-se mesmo a perder o fulgor se comparada com a alemã e a francesa, onde há agora muito maior capacidade de investimento. Mesmo na Europa, as equipas italianas perderam a capacidade de assustar os seus concorrentes. Mas nada disso importa quando, no relvado, vamos percebendo que o futebol italiano vai resgatando a sua capacidade de oferecer bons espetáculos, um futebol taticamente organizado e uma série de dérbis que povoam a imaginação.

Teves Juventus

A Juventus domina e quer dominar mais

Depois de três campeonatos conquistados, a Juventus passará, este ano, por uma mudança de timoneiro, com Antonio Conte a sair para liderar a Squadra Azzurra e o seu lugar a ser ocupado por Massimiliano Allegri, o que não sugere, propriamente, uma melhoria. Será diferente, isso é certo, porque a forma como Conte vivia o seu clube e o jogo a partir do banco são difíceis de substituir. Como reforços, as chegadas de Evra e Morata aumentam as opções, sem mexer propriamente com o esquema da equipa, que poderá ser afetado se Vidal sair até ao fecho do mercado. Se isso não acontecer, a Juventus será mesmo a grande candidata a somar mais um título, pela qualidade do plantel de que dispõe, sobretudo em comparação com os seus principais concorrentes.

Eixo Roma – Nápoles ataca de novo

Higuain Napoli

O homem de quem se esperam golos

Depois de, no ano passado, ter sido visto como um candidato a destronar a Juve, a AS Roma prepara-se para voltar a atacar o objetivo. Rudi Garcia tem agora maior experiência no futebol italiano, e também um plantel que lhe permite aguentar mais tempo no topo. Ao mesmo tempo, com a exigência da Liga dos Campeões, também haverá um maior desgaste. Ainda assim, poder ver Iturbe numa equipa de topo será um dos grandes atrativos, enquanto Ashley Cole, Seydou Keita e Marco Borriello chegam para dar experiência e consistência à rotação de Garcia. Mantendo o mesmo acerto defensivo, os romanos poderão aspirar a altos voos.

Em Nápoles, Rafael Benítez sente a pressão para melhorar o resultado do ano passado. Um olhar frio dirá que uma equipa que fez um forte investimento para crescer não foi além de um terceiro lugar na Série A e a fase de grupos da Liga dos Campeões. O técnico espanhol valorizará o processo adquirido pelo seu grupo de jogadores e, no que toca a contratações, a sua preocupação parece passar pelo reforço das opções no banco do que, propriamente, o investimento em mais estrelas. O que haverá a melhorar será, sobretudo, a constância do seu jogo, evitando quebras como as que ocorreram no ano passado. Se conseguir isso, estará mais perto dos da frente.

A interrogação de Milão

Inzaghi AC Milan

Inzaghi em versão Armani

Em Milão, dois grandes lidam com a sua própria queda, ao deixarem de ser presenças impactantes no mercado. Nem Inter, nem AC Milan conseguem, hoje em dia, competir com os emblemas mais fortes e saídas como as de Balotelli são bem notórias na justificação deste argumento. O Inter terá, ainda assim, espaço na Liga Europa, enquanto a Associacione Calcio terá toda a temporada para se dedicar ao seu campeonato. Filippo Inzaghi é um homem da casa mas, tal como outros antes dele, será julgado pelos resultados. Não se adivinham nada fáceis, desde já, tendo em conta que às saídas não têm correspondido entradas à altura.

Para o seu rival, com Walter Mazzarri no leme, a pressão cresceu, até porque a expetativa deste técnico seria a de conseguir recriar em Milão aquilo que alcançou com o Nápoles. Vidic poderá ser um bom substituto de Zanetti, ao nível do balneário, mas no terreno de jogo, Mazzarri terá que jogar com as poucas armas que tem. Manter-se na luta europeia é um objetivo mínimo.

História atrás de história

Vários são os nomes históricos que vivem nesta competição. Entre os ainda não referidos, será a Fiorentina quem maiores aspirações terá, com Vincenzo Montella a ser o autor de um quadro de bom futebol criativo com a marca artística que sempre pontuou as equipas da camisola viola. Com Cuadrado ainda no plantel, Montella mantém todos os seus principais trunfos e poderá ver-se a tocar uma presença na Liga dos Campeões. Sem ele, as coisas ficarão mais difíceis, mas a Fiorentina será sempre uma equipa de topo na Série A.

Referências ainda para o Parma, Torino, Lazio e Hellas Verona, que muito animaram, no ano passado, a luta pelos lugares europeus, onde os três primeiros esperam estar este ano. Para a equipa de Verona, o teste será mais exigente, porque depois de terem beneficiado de ser uma revelação, têm este ano para o comprovar. Entre os promovidos, três nomes bem conhecidos desta competição, o Palermo, o Empoli e o Cesena, equipas de altos e baixos que esperarão escapar a nova descida durante esta temporada.