Em oitos jogos, cinco terminaram empatados, na primeira jornada da fase de grupos da Taça das Nações Africanas. O jogo de estreia é aquele onde ninguém quer perder, para não hipotecar as suas possibilidades de sucesso na prova. Ao mesmo tempo, com muita humidade e com relvados longe de permitirem o melhor futebol, o nivelamento das equipas leva a que apenas o Senegal tenha vencido por margem de dois golos. Fazemos um resumo dos acontecimentos desta jornada inaugural.
Guiné-Bissau surpreende no minuto final
O jogo de abertura da CAN 2017 fica marcado pela exibição cinzenta da equipa da casa, o Gabão, a quem faltou dinamismo e energia, como se os jogadores estivessem alheados do significado desta partida para os adeptos que enchiam as bancadas. Pela frente tiveram uma seleção da Guiné-Bissau que começou o jogo mais focada no momento defensivo, mas que se foi soltando ao longo do encontro, sobretudo depois de Aubameyang ter aberto o ativo. A equipa de Baciro Candé foi carregando sobre a área adversária, aproveitando o facto de ser muito forte nos lances de bola parada, chegando ao golo por intermédio de Juary, em cima do minuto 90.
Zezinho foi considerado um dos melhores em campo e prova assim, numa grande competição internacional, todas as expetativas que criou quando passou pela formação do Sporting. No outro jogo do Grupo A, Burkina Faso e Camarões empataram também a uma bola, deixando em aberto a possibilidade de todas as equipas disputarem um lugar nos quartos-de-final.
A maior vitória com o menor domínio
O Senegal bateu a Tunísia por 2-0 mas o resultado não diz muito daquilo que se viu no relvado. A primeira parte teve uma excelente exibição dos senegaleses, mas aproveitando erros do seu adversário, como a grande penalidade cometida por Abdennour, que Sadio Mané concretizou logo aos 10 minutos. Mbodji, de cabeça, aumentaria a vantagem à passagem da meia-hora, mas durante toda a segunda parte, os tunisinos dominaram e criaram uma série de oportunidades, sempre ficando aquém no capítulo da finalização. Diallo, guarda-redes dos senegaleses, também contribuiu com excelentes intervenções.
No outro jogo, o Zimbabwe esteve perto de surpreender, com uma exibição viva e rebelde, a fazer lembrar os velhos tempos do futebol africano. Mahrez abriu o marcador para a Argélia, mas Mahachi e Mushekwi, de grande penalidade, deram a volta ao marcador ainda na primeira parte. No entanto, sem brilhar, mas com efetividade, os argelinos restabeleceriam o empate como novo golo de Mahrez.
O Grupo das desilusões
No Grupo C, o jogo inaugural mostrou-nos que a Costa do Marfim estará bem longe do nível esperado para se poder reivindicar como um favorito a recuperar o título. Perante um Togo muito bem organizado e bastante mais experiente, os Elefantes nunca conseguiram mostrar superioridade e acabaram o jogo com alguma sorte por não saírem derrotados.
Já na outra partida, Marrocos entrou muito bem no jogo, mas não tem capacidade para, no último terço do campo, surgir com qualidade e com boas decisões, para além de lhe faltar presença na área. El Arabi só entrou nos minutos finais e poderá ser parte da solução, mas não chegou para evitar a derrota frente a um RD Congo calculista, que chegou ao golo através de Kabananga e, mesmo terminando com dez devido à expulsão de Mutambala, soube gerir a magra vantagem até ao fim.
A relva da discórdia
Os relvados merecem toda negativa, mas o do Grupo D é aquele que mais terá contribuído para a má qualidade dos espetáculos. O Gana entrou a ganhar perante o Uganda, mas ficou longe de convencer. A primeira parte sugeriu grandes diferenças de qualidade entre as equipas, ainda que os ganeses apenas tenham chegado ao golo devido a uma grande penalidade infantil, que André Ayew haveria de concretizar. Na segunda parte, o Uganda partiu em busca da redenção, mostrou-se muito ofensivo, criou oportunidades, mas sem conseguir finalizar, não deixou de apresentar uma imagem positiva.
Na outra partida, Mali e Egito mostraram-se calculistas, tentando evitar, ao máximo, a derrota. A equipa egípcia demonstra qualidade para fazer melhor, mas não se adaptou tão bem às condições do encontro como os congéneres malianos, menos talentosos, mas com uma abordagem física do jogo que lhes permitiu levar um ponto.
Boas Apostas!