Ao segundo confronto entre José Mourinho e Pep Guardiola em terras de Sua Majestade, o português saiu vencedor. Sim, é verdade que o City alinhou com vários jovens no onze e o United foi a jogo com a equipa mais forte que tinha à disposição. Mas pela primeira vez esta temporada viu-se o dedo do treinador luso no encontro. Na estratégia, no sacrifício, no anular do adversário, não em fait-divers na lateral. Prazer em vê-lo, Sr. Mourinho. Esperemos que fique por cá.
Mourinho em campo, uma agradável surpresa

Mourinho pediu desculpas às bancadas pela derrota com o Chelsea. Está feita a reconciliação?
O Manchester United venceu o City por uma bola a zero (1-0) mas é justo sublinhar que dominou por inteiro a partida. Com os habituais titulares do eixo da defesa – Smalling e Bailly lesionados – a equipa teve improvisar com uma dupla de centrais que ainda não tinha jogado junta. Acresce à dificuldade o facto de tanto Daley Blind como Marcos Rojo serem esquerdinos – o que obrigou a trocar a posição relativa de ambos já com o jogo em andamento – e o argentino ter jogado apenas a espaços esta temporada. Aliás, o jogador que passou pelo Benfica foi um dos que o técnico elogiou no final do encontro, como tendo feito uma exibição extraordinário.
A estratégia montada por José Mourinho assentou em duas componentes fundamentais: organização defensiva, com todos os elementos da equipa a dar o litro, e pressão na saída de bola, impedindo o Manchester City de fazer a habitual construção em passes curtos a partir do guarda-redes. Ambas as indicações foram executadas com distinção. Vamos aos destaques. Michael Carrick beneficia o United porque liberta os companheiros do trabalho de sapa. Aos trinta e cinco anos o veterano dos Red Devils compensa com a cabeça aquilo que as pernas já não dão. Ter uma referência defensiva no meio-campo, que sabe o que está a fazer a todos os momentos, liberta Ander Herrera, que voltou a ser um dos melhores da partida, e mesmo Paul Pogba, que pode vaguear para onde o jogo o puxa.
Mata, um homem novo

A intensidade e disponibilidade de Juan Mata para trabalhar para o esforço coletivo está a fazer dele um homem novo.
Juan Manuel Mata fez o golo mas é extraordinária a vontade de transformação do pequeno jogador espanhol. Podem dizer, sim, claro, ele já percebeu que esta é a última oportunidade de relançar a carreira e evitar tornar-se dispensável. Certo. Mas eu vi Mata fazer pelo menos duas recuperações de bola indo disputar o esférico de cabeça!! A contribuição que não escapa a ninguém foi o golo, marcado num remate oportuno de meia distância, mas foi muito além disso. Saiu esgotado numa altura em que o treinador percebia que precisava de pernas frescas para segurar o meio-campo. Morgan Schneiderlin foi incansável na função que lhe solicitaram.
Guardiola está há seis jogos sem vencer, coisa que nunca lhe aconteceu antes, mas diz-se orgulhoso do esforço dos seus jogadores. Uma palavra aqui para Pablo Maffeo. O jovem defesa espanhol de dezanove anos fez uma exibição tremenda. Não se passou nada do lado direito do relvado em que não tenha estado envolvido. Foi impressionante e a partir de meio do segundo tempo estava em claro sofrimento. A intensidade apresentou fatura mas nem por isso deixou de correr e cumprir.
O United venceu e passa aos quartos de final, onde já sabe que irá enfrentar o West Ham, que ontem afastou o Chelsea da Taça EFL. Mourinho reconciliou-se com os adeptos do United e pode ter ganho a equipa. Já estávamos com saudades de ver os estratagemas do português em ação e foi bom o reencontro. Esperemos que continue por cá, a fazer o que melhor sabe. O United e o futebol só têm a ganhar com isso.
Boas Apostas!