A meio desta semana jogou-se mais uma jornada da fase de grupos da Taça da Liga.

A Taça da Liga é uma competição que ainda é menorizada por alguns clubes que a consideram a Taça do SL Benfica que tem sido, até agora, o maior vencedor da prova.

A verdade é que esta competição nasceu torta, mas tem vindo a endireitar-se e a ganhar consistência. Passou já a fazer parte do ano futebolístico, mesmo que, para alguns, não seja mais que uma forma de fazer jogar júniores, B’s e jogadores menos utilizados.

Mas numa altura em que se antevia que os principais clubes nacionais caminhariam folgadamente em direcção às meias-finais, eis que a jornada de ontem veio baralhar tudo, além de dar informações preciosas sobre o estado do futebol profissional português.

Ontem deu para tudo. Para perceber como é que estão as equipas que jogaram, como é que os clubes grandes estão a sobreviver à quantidade de jogos, mesmo que os considerem menores, como é que vai ser o futuro do futebol quando as novas gerações chegarem lá, onde querem chegar, que é à titularidade nas equipas de topo. E o que é que têm para prometer a quem gosta de ver bom futebol e golos.

Nesta jornada da Taça da Liga houve bons jogos, bastantes golos e algum suspence. Nesta jornada da Taça da Liga viu-se o passado, o presente e o futuro do futebol em português.

O Passado

No encontro entre o SC Braga e o FC Porto houve de tudo pouco. Muito passado por ali circulou. Do bom e do mau. Algum presente que não augura nada de bom para o futuro. Mas, principalmente, passado.

Algum do passado que por lá passou, foi do melhor que há, que houve: Helton. O guarda-redes que chegou a Portugal para o UD Leiria e que acabou por arribar ao Porto onde ganhou a Liga Europa e uma série, bem grande, de campeonatos nacionais, Taças de Portugal e Supertaças. Helton, a quem já davam por reformado, e a quem querem encontrar um substituto à altura, provou ontem, depois de ter estado algum tempo afastado com uma grave lesão, que, a caminho dos 37 anos, ainda está em muito boa forma para defender o seu castelo. Na Quarta-feira, se o FC Porto não saiu goleado de Braga, depois de ter sido reduzido a 9 jogadores, e ter sido obrigado a 2 substituições muito cedo, foi graças ao seu superlativo guardião que foi gigante. Parecia 10 anos antes, quando chegou pela primeira vez ao Dragão, jovem e cheio de promessas.

SC Braga 1 - 1 FC Porto

A única vez que o SC Braga conseguiu ultrapassar Helton, foi numa grande penalidade convertida por Alan

Mas também houve daquele passado bafiento que não se deseja ver em jogos de futebol. Uma arbitragem muito polémica, muito contestada, com dualidade de critérios e alguma arrogância. Uma equipa que se encolhe pela falta de matéria-prima (jogadores), e outra que tenta, tenta, mas não consegue lá chegar.

O FC Porto viu 2 jogadores serem expulsos ainda na primeira parte do encontro (aos 34′ e 42′). Não é preciso muito para perceber que o jogo estava já, ali, estragado. Mas ainda antes da expulsões, o FC Porto sofreu uma importante baixa por lesão de Adrián López aos 10′ e, aos 36′ saiu Quintero para se tentar reorganizar a defesa depois da expulsão de Reyes.

Entretanto, o SC Braga forçava, forçava, forçava mas não conseguia abrir brechas na defesa portista. É que mesmo quando a defesa era ultrapassada, estava lá, imperial, Helton.

O FC Porto também se queixou da arbitragem, e tem razões para o fazer. Houve alguma condescendência com os jogadores bracarenses, nomeadamente Sasso e Thiago Gomes.

Na verdade, parecia que já se tinha visto este filme. Mas ao contrário. Num passado recente e muito nebuloso do futebol português e onde se pensava nunca mais voltar. Aliás, Julen Lopetegui no final do encontro nem falou do jogo, só se queixou da arbitragem e enalteceu os seus jogadores que considerou heróis. Como Pinto da Costa. Afinal, dever-se-ia falar sobre o que tinha acontecido. E porque é que havia orgulho em ter jogadores expulsos. Mas não ficaram sozinhos, pois António Salvador, o presidente bracarense, também se queixou de ter sido prejudicado pela arbitragem. Haja paciência.

E é preciso dizer que ambos os golos fora obtidos de grande penalidade. E até ao fim, muito mais podia ter acontecido.

O Presente

Moreirense 0 - 2 SL Benfica

Não foi só o já habitual Jonas a marcar golos pelo SL Benfica, Derley também fez o gosto ao pé

Já aqui se disse, mais que uma vez, mas deve dizer-se outra vez: o SL Benfica que sobreviveu a um período menos bom no início da época, para não dizer mesmo mauzinho, está a crescer de uma forma tão rápida e consistente que, muito dificilmente será desviado deste seu caminho em direção aos seus restantes objectivos: o Campeonato e a Taça da Liga, esta mesma onde na Quarta-feira voltou a derrotar o seu oponente, por 2 a 0, num jogo em que dominou do princípio ao fim, com Jonas (who else?) a voltar a marcar golo.

Depois de Jorge Jesus ter dito que o SL Benfica leva todas as competições a sério (isto para dizer que, ao contrário do Sporting CP que vai a jogo na Taça da Liga com júniores e equipa B porque desconsidera a competição, ele, Jesus, não), esqueceu-se de dizer o mesmo quando desconsiderou a Liga dos Campeões de tal forma que se esqueceu que, para ir à Liga Europa, não podia ficar em último, o que veio a acontecer.

Claro que a argumentação de que o SL Benfica não tinha equipa para tantos jogos e para o desgaste europeu, mas se o SL Benfica não quer ser uma equipa para a Europa, o que é quer ser o SL Benfica? Claro que se as coisas tivesse sido feitas antecipadamente, se Júlio César e Jonas estivessem já no SL Benfica para atacar a Europa, como estão a atacar o Campeonato Nacional e a Taça da Liga, outro galo cantaria (mas não seria o de Barcelos).

Com a vitória por 2 a 0 em Moreira de Cónegos, tal como já fora no fim-de-semana passado na Madeira, Jorge Jesus mostrou que este SL Benfica está presente no presente, está consciente da sua força e dimensão, e quer a glória que lhe corresponde. E como o presente parece ser já um dado adquirido, lá vai fazendo o caminho para o futuro: ontem voltou a dar tempo de jogo a Gonçalo Guedes, e vai preparando o amanhã.

Satisfeito com o presente, o SL Benfica prepara o futuro para não ser apanhado desprevenido como aconteceu este início de época que, parece, só agora é que está a começar para a equipa. Mas a começar muito bem.

O Futuro

Por mais que o presidente sportinguista queira, que o treinador tente, e que os adeptos desejem, o futuro, ontem, no Restelo, foi azul.

Do desprestígio da competição não reza a história. O que fica nos anais da história é que o Sporting CP perdeu 3 a 2 com o Belenenses, depois de ter estado a ganhar por 2 a 0.

Belenenses 3 - 2 Sporting CP

Foi também de grande penalidade que o Belenenses se colocou em vantagem sobre o Sporting CP, com o terceiro golo marcado por Abel Camará

E se o Sporting CP começou a ganhar cedo (o primeiro golo logo aos 6′ e o segundo quase logo de seguida, aos 19′), também começou cedo a perder as estribeiras do jogo quando aos 39′ o Belenenses marcou o seu primeiro golo e reduziu o resultado, criando pressão numa equipa sportinguista muito jovem e com pouca experiência.

Quando parecia que o intervalo poderia servir os intentos de Marco Silva e fazer serenar os seus jovens e inexperientes jogadores, eis que o que se passa é o contrário e que vem do balneário com vontade de transformar o estado das coisas é outra equipa também muito jovem: o Belenenses. Quase no reatamento do jogo, e no espaço de 5′, o Belenenses dá a volta ao resultado e passa para a frente do marcador, ganhando por 3 a 2, resultado que se manteria até final.

Mas neste jogo, em que o Sporting CP foi perdedor e o Belenenses ganhador, vislumbrou-se um pouco do futuro do futebol nacional. Pelo sugerido pela equipa do Sporting CP, jovem, a crescer, que precisa de tempo, tem futuro risonho, porque o talento está todo lá (Esgaio, Gauld e especilamente Wallyson). Mas o que foi vislumbrado na equipa de Belém (Dálcio muito grande, Rodrigo Dantas, Abel Camará, Miguel Rosa e Deyverson) remetem para um futuro ainda mais risonho, assim saibam os homens do futebol tratar os seus meninos. Que merecem bons destinos.

Com oportunidades, tempo e vontade, o futebol em Portugal pode recuperar um pouco do prestígio perdido e antever futuros dias de glória que nos garantam jogos como o de ontem, entre o Belenenses e o Sporting CP. Houve golos, muitos golos, e suspence no marcador. Poderia ser sempre assim.

Boas Apostas!