Jack Sock – Borna Coric (Roland Garros)
Para quem anda há anos a suspirar por sangue novo no ténis, a jornada de sábado em Roland Garros vai ser de barriga cheia. Aos vinte e dois anos, o americano chega pelo segundo ano consecutivo à terceira ronda do Open Francês, e fê-lo diante de adversários de peso. O croata, quatro anos mais novo, chegou aqui à primeira tentativa. Será um momento de afirmação para ambos e o público é que vai ganhar com isso.
A estreia de Jack Sock nesta edição de Roland Garros já captou as atenções. Apesar da proximidade etária, Grigor Dimitrov é um tenista muito mais experimentado na alta-roda do ténis mundial. Mesmo não estando o búlgaro no seu melhor momento, dificilmente se esperaria uma eliminação na primeira ronda no confronto como o norte-americano, ainda por cima em sets diretos (7-6, 6-2, 6-3). Mas na etapa seguinte Sock provou que não tinha sido um incidente isolado. Pablo Carreño Busta é um especialista na terra batida e o natural de Lincoln nem sequer teve uma prestação irrepreensível, bem pelo contrário. Foram treze as duplas faltas que lhe foram assinaladas ao longo do encontro e como ironizou o tenista no rescaldo da partida, “lá conseguiu encontrar o seu primeiro serviço” ao fim de três horas no court. Pode parecer exagero, mas foi quase assim. Jack só conseguiu meter quarenta e nove por cento dos seus primeiros saques. Mas não desistiu e acabou por ter a sua chance. OS sessenta e sete winners mas sobretudo a conversão de cinco dos oito pontos de break de que dispôs colocaram-no na terceira ronda.
Jack Sock conquistou o seu primeiro título ATP em singulares no mês passado, em Houston, frente ao compatriota Sam Querrey (duplo 7-6).
Querrey foi, precisamente, o primeiro obstáculo de Borna Coric à chegada a Roland Garros. O americano, trigésimo oitavo do mundo, foi eliminado pelo croata de dezoito anos, que faz a sua estreia no Grand Slam francês (7-6, 6-3, 0-6, 6-3).
Há uns meses, aquando de uma entrevista para o site do ATP World Tour, Coric comparou o seu estilo ao do número um mundial e logo muitos lhe caíram em cima pela falta de humildade. É natural que um adolescente que já bateu Rafa Nadal e Andy Murray se entusiasme e ele limitou-se a utilizar grandes figuras do circuito como referências para o seu jogo. E ontem, Borna recebeu o aval de Novak Djokovic, que não tem problemas em dizer que o croata é muito parecido ao que ele era naquela idade. E concretizou, dizendo que tem treinado bastante com ele nos últimos meses e que Coric tem uma estrutura mental muito madura para a sua idade.
Borna Coric subiu sete posições na última atualização do Ranking ATP, ocupando agora a posição quarenta e seis. A promoção ficou a dever-se ao facto de ter atingido pela terceira vez na sua jovem carreira uma semifinal. Em Nice foi afastado pelo argentino Leonardo Mayer mas o objetivo principal – conquistar pontos e experiência – estava alcançado (6-4, 6-3).
A vitória sobre Tommy Robredo, um veterano destas lides da terra batida, pode ser um daqueles marcos que ficam no palmarés dos grandes jogadores mundiais. Ao fazê-lo, Coric torna-se o mais jovem tenista a chegar à terceira ronda de Roland Garros, depois de Marat Safin ter estabelecido a marca em 98. Não vou entrar em delírios, o próprio Nole teve que melhorar muitos aspetos do seu jogo para chegar ao que é hoje. Mas o croata tem muita qualidade – técnica e mental – e aparentemente muita vontade de aprender. E se havia uma pecha que o andava a comprometer nos desafios mais exigentes era a quebra física. O que é muito natural nos tenistas jovens que ainda não aprenderam a gerir o próprio esforço, a descansar em campo e até a saber ceder um set para regressar em força. Mas a sua prestação em Paris prova que quebrar num set, ou até dois, já não deixa Coric desconcertado. Essa evolução aconteceu apenas no último mês.
Sock e Coric nunca se defrontaram antes.
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