França e Suíça em frente, Albânia esperançosa. Em suma, a expectativa cumpriu-se, com as duas seleções mais fortes do grupo a garantirem o acesso direto aos oitavos-de-final. Esperava-se mais da Roménia de Iordanescu, que não teve capacidade para se superiorizar face aos combativos albaneses e terminou na quarta posição do grupo.

França

Cumpridora. A seleção francesa foi suficientemente competente para garantir o acesso aos oitavos-de-final do campeonato da Europa com estatuto de líder do grupo A. Numericamente falando, a prestação gaulesa traduziu-se na conquista de sete pontos, quatro golos marcados e um sofrido.

Foto: Reuters

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O objetivo foi atingido, mas a seleção da casa não impressionou nesta primeira fase da competição, sobretudo tendo em conta o pedestal em que foi colocada à entrada para este campeonato da Europa. Dentro das quatro linhas, a França teve que sofrer diante de adversários teoricamente inferiores, revelando algumas debilidades. O percurso começou no Stade de France com uma vitória tangencial (2-1) sobre a Roménia ao cair do pano, cortesia de um grande golo apontado por um herói improvável: Dmitri Payet. O nervosismo inicial, resultante da responsabilidade que França tem sobre os ombros, foi apontado como principal motivo para a exibição menos conseguida por parte dos gauleses. O seleccionador também não gostou do que viu e não se escudou em motivos do domínio psicológico, promovendo mudanças na equipa e relegando Griezmann e Pogba para o banco no jogo com a Albânia. Em Marselha, diante da compacta seleção comandada por Gianni de Biasi, os franceses voltaram a evidenciar problemas, nomeadamente em virtude da lentidão de processos. Mais uma vez, houve razão para celebrar ao cair do pano. Já com Griezmann e Pogba dentro das quatro linhas, foi o pequeno dianteiro do Atlético de Madrid que cabeceou para abrir o ativo, remetendo a honra de fechar o placard para Dmitri Payet, que selou o apuramento francês. Na derradeira ronda, Deschamps voltou a mexer no onze inicial e abdicou de alguns jogadores mais utilizados nos dois primeiros jogos – a defesa foi o único setor que não sofreu alterações. Frente à Suíça, a França dispôs das melhores ocasiões, atirou duas bolas à trave e Lloris teve uma noite tranquila, uma vez que o adversário não fez qualquer remate enquadrado com a baliza. Com o resultado do Roménia – Albânia a beneficiar as pretensões helvéticas, o jogo foi caindo de intensidade e assistiu-se a um certo conformismo por parte de ambas as equipas, uma vez que o empate servia as pretensões. Na fase a eliminar, a fasquia sobe e exige-se mais a esta equipa tanto do ponto de vista coletivo como individual. Até agora, Payet é caso virgem em termos de brilhantismo individual nesta equipa gaulesa.

Suíça

Foto: Lusa

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Satisfação. A Suíça chega ao fim da primeira fase com o sentimento de dever cumprido, num grupo em que era dada como favorita à passagem. Não houve inspiração para mais que o segundo lugar, mas a orquestra ritmada por Granit Xhaka tem capacidade para fazer boa figura na fase a eliminar. Pela primeira vez nos oitavos-de-final de uma grande competição, a partir de agora, a responsabilidade é diminuta e tudo o que vier será por acréscimo. O estatuto de estreante pode induzir a concorrência em erro, até porque esta é uma equipa composta por jogadores maduros do em termos competitivos, organizada e competente. Na baliza, Sommer dá garantias. Pelas laterais Rodríguez e Lichtsteiner estão ao nível esperado, enquanto que no eixo defensivo Fabian Schar tem brilhado, compensando os momentos menos felizes protagonizados por Djourou. No meio-campo, destaque para a preponderância de Granit Xhaka, que justifica os milhões investidos pelo Arsenal na sua contratação. Quanto à frente de ataque, nota para uma alteração promovida por Petkovic no encontro com a França que poderá ser transversal ao encontro dos oitavos-de-final. Haris Seferovic tem sido pouco eficaz no capítulo da finalização, situação que viabilizou a entrada do promissor Embolo no onze, para atuar no centro do ataque. A eliminar, agora mais que nunca, a Suíça necessita que uma das suas principais referências se assuma: Xherdan Shaqiri, flanqueador desconcertante que fez três jogos abaixo do nível esperado.

O percurso da seleção suíça sustenta a ideia de que é muito importante entrar bem em competição. Um cabeceamento de Fabian Schar derrotou a Albânia (1-0) na ronda inaugural, colocando os helvéticos lado a lado com a França. O próprio calendário do grupo foi favorável às pretensões da Suíça, que não perdeu terreno face à concorrente Roménia na segunda jornada (1-1) e na derradeira ronda mediu forças com uma seleção francesa em modo de descompressão, com o apuramento já garantido. Pouco dada a atrevimento no último terço apesar de ter passado boa parte do encontro em ataque organizado, a Suíça foi inofensiva no capítulo ofensivo mas contentou-se com o empate.

Albânia

Foto: Getty Images

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Surpresa. Giovanni de Biasi e os seus atletas voltaram a fazer história, alcançando o primeiro triunfo da história na fase final de uma grande competição. Com três pontos conquistados e um saldo de dois golos negativos, – um marcado e três sofridos – a Albânia sabe que seguir para os oitavos-de-final enquanto um dos melhores terceiros colocados não será tarefa fácil. Honra seja feita a esta equipa albanesa que, em contexto de decisão, não vacilou e atirou a Roménia de Iordanescu para fora do campeonato da Europa, graças a uma vitória (0-1) no último encontro da fase de grupos. Em função daquilo que a Albânia fez frente a Suíça (0-1) e França (0-2), a vitória diante da Roménia foi um prémio ajustado à atuação destemida de um dos conjuntos mais solidários do futebol europeu, factor que serve para suprimir algumas lacunas de uma equipa que denota uma organização surpreendente para quem compete pela primeira vez a este nível. O coração albanês trouxe esta equipa até aqui, mas o aperto vai durar mais uns dias, até a seleção conhecer o seu futuro na competição.

Roménia

Foto: Reuters

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Percurso em diminuendo. De regresso à fase final de um campeonato da Europa com o “general” Iordanescu ao leme, a Roménia protagonizou uma estreia promissora, complicando a vida à seleção francesa e apresentando uma audácia que não se lhe adivinhava na abordagem ao encontro de estreia. O (admissível) empate com a Suíça na segunda ronda acabou por beneficiar sobretudo os helvéticos, mas a conquista de um ponto na antecâmara do último jogo colocava a Roménia num plano tudo menos comprometedor. Mesmo que a Suíça pontuasse diante da França – tal como se verificou -, uma vitória romena diante da Albânia praticamente garantia o acesso aos oitavos-de-final na terceira posição. No entanto, na derradeira oportunidade, a formação do Leste falhou redondamente. Não teve capacidade para assumir o jogo, perdeu muitas divididas a meio-campo e deu muito espaço à Albânia para jogar. Para acrescer às debilidades enunciadas, ficou em evidência outro factor: A inoperância da Roménia em termos ofensivos quando as suas melhores individualidades não se conseguem exibir ao melhor nível – os dois golos romenos nesta fase final foram ambos apontados na sequência de grandes penalidades por Stancu. O percurso da seleção romena na competição termina de forma prematura.

Boas Apostas!