Liga Europa – A Arena de Amesterdão estará hoje cheia para assistir à final da segunda competição da UEFA, entre os portugueses do Benfica e os ingleses do Chelsea. Num jogo que deverá ser marcado pelo equilíbrio, ambos os conjuntos procuram a glória internacional em vésperas de decisões nas respetivas ligas nacionais.

Benfica salva a época?

O discurso dos encarnados andou, por estes dias, preso aos minutos finais do jogo com o FC Porto. Por um lado, subsiste a sensação de que o Benfica ficou a dois minutos de garantir o título nacional, algo que até ainda é matematicamente possível. O lance criado por Liedson e Kelvin foi escalpelizado ao pormenor, bem como as opções tomadas por Jorge Jesus. No entanto, do outro lado da moeda, está uma final europeia há muito desejada. Nos últimos dez anos, o Benfica era a única equipa dos quatro emblemas mais importantes do futebol nacional a não pisar o relvado numa final de uma competição da UEFA. Depois de uma pequena desilusão na Liga dos Campeões, o percurso feito na Liga Europa foi assinalável, levando os encarnados a encontrar o Chelsea.

Matic Benfica

Matic é peça essencial da estrutura de Jesus

No jogo da final, Jorge Jesus tem uma excelente oportunidade para desfazer possíveis equívocos do jogo do Dragão. O primeiro deles é assumir que a escolha do onze não foi errada. De facto, perante os condicionalismos do jogo, optar por ter menos um avançado e chamar Gaitán para o apoio ao ponta-de-lança foi uma boa opção. Frente ao Chelsea, no entanto, volta a discutir-se que Benfica deverá entrar no jogo. E se pensarmos que Cardozo pode vir a ser opção mais solitária na frente, com Gaitán, de novo, a funcionar no apoio central, talvez a surpresa de hoje seja não haver surpresas. Assim, vejo Cardozo e Lima estarem no onze, com Salvio e Gaitán a ocupar as faixas, ainda que possam ter atenção especial às movimentações de laterais e, sobretudo, médios dos ingleses. Como o Chelsea não utiliza, propriamente, extremos, o trabalho posicional de laterais e extremos encarnados será fundamental para impedir facilidades aos Blues. Na zona central, Matic e Enzo Pérez deverão chegar para as encomendas.

Benítez coleciona taças europeias?

David Luiz Chelsea

David Luiz marcará ao Benfica?

A passagem de Rafael Benítez do Chelsea começou torta, mas ainda se pode endireitar. Desde o primeiro jogo que os adeptos mostraram não receber bem o treinador espanhol à frente da sua equipa. Mas, na verdade, Benítez tem esta semana dois jogos onde poderá encerrar o seu trabalho no clube de Londres com uma taça europeia e a qualificação direta para a Liga dos Campeões, o que até pode ser visto como mais do que aquilo que lhe era exigido no momento da sua chegada. Para além disso, o treinador conseguiu recuperar Fernando Torres, que voltou a ter utilidade para a equipa desde a chegada de Benítez. Será, talvez, um dos seus grandes méritos – e dos menos falados, também -, ter conseguido resgatar Fernando Torres à mediocridade.

No que toca ao modo da equipa jogar, a subida de David Luiz para o meio-campo ofereceu também uma intensidade muito superior aquela que estávamos habituados a ver nos Blues. O central brasileiro é um jogador que, pela sua velocidade e qualidade técnica, se sente bem numa posição onde possa tentar, mais vezes, a subida ao ataque. Com Ivanovic e Cahill na defesa, David Luiz tem essa possibilidade. Para além dele, o meio-campo apresenta diferentes peças com qualidades acima da média na mobilidade, permitindo uma velocidade de jogo difícil de acompanhar. Ramires, Óscar e Mata são setas à solta, cabendo a Lampard a função de pensar e colocar a bola nos seus colegas.

Azul ou encarnado?

amsterdam arena

Aqui será decidido o vencedor da Liga Europa

Opte Jorge Jesus, por ter Gaitán ou Lima no apoio a Cardozo, a verdade é que os dois onzes se irão encaixar no relvado da Arena de Amesterdão. O duelo entre Matic e David Luiz promete fazer faísca, sendo estes jogadores os dois titãs de cada lado da contenda. Enzo Pérez poderá ter alguma vantagem física sobre Lampard – assim esteja em condições -, ainda que o internacional inglês apresente melhor capacidade de passe. Na linha ofensiva, o Benfica tem um avançado mais forte no remate e na imposição física em jogo, enquanto o Chelsea tem mais armas no apoio a esse avançado, sobretudo com Óscar e Mata. Defensivamente, existe muito equilíbrio entre os dois lados. Com duplas de centrais onde é raro encontrarmos falhas, os laterais compensam, aceitavelmente, aquilo que é necessário fazer entre posicionamento defensivo e participação ofensiva. Na baliza, Cech estará um pouco mais confiante do que Artur, mas o brasileiro já sabe o que é perder uma final da Liga Europa e não deverá estar disponível para repetir o insucesso.

Boas apostas!