Como o nome indica a Liga dos Campeões da UEFA reúne a elite do futebol do velho continente. Todos os anos os melhores de cada campeonato nacional competem entre si pelo título. Ronda após ronda exibem-se os melhores jogadores e melhores treinadores do mundo, já que as maiores estrelas acabam por rumar aos grandes clubes europeus. Estarão as equipas de arbitragem à altura da excelência que os rodeia nestas partidas?
Arbitrar não é para meninos
É um péssimo sinal quando o árbitro se torna o protagonista de uma partida de futebol. O ideal seria que passasse desapercebido, essa é a melhor evidência de um jogo fluído e sem controvérsias. É verdade que os jogadores, e os responsáveis técnicos, também podem fazer a vida do homem do apito muito difícil. Provocam os adversários, simulam faltas, atrasam o jogo, são desrespeitosos ou mesmo agressivos. Ser árbitro ao mais alto nível “não é para meninos”. É preciso dominar o desporto e as regras, ter a forma física de um atleta de topo e a capacidade de ajuizar lances rápidos e complexos num piscar de olhos. Já todos passamos por aquela situação em que mesmo após três ou quatro repetições, em câmara lenta e de diferentes ângulos, não conseguimos ter certeza sobre um fora de jogo ou uma penalidade. O porquê dos organismos do futebol continuarem a recusar a utilização de meios auxiliares, sejam eles imagens ou a tecnologia de golo, é um mistério que fica para outra ocasião.
Dar o (pior) exemplo

Busacca e a alegria no trabalho
Peguemos, por exemplo, no exemplo, ou falta dele, de Massimo Busacca. O Suíço de 45 anos, que em 2011 abandonou os relvados para assumir funções na estrutura de arbitragem da FIFA, ficou famoso por duas atitudes caricatas. Em 2009, durante um jogo da Taça Suíça, fez gestos obscenos para a assistência, pouco tempo depois de ter urinado em campo enquanto arbitrava um jogo do Qatar. Podem dizer que foram episódios laterais, extrafutebol. Certo, mas foram feitos dentro das quatro linhas, em representação oficial. E revelam uma tremenda falta de discernimento, que devia ser a competência essencial de quem decide. As regras aprendem-se, os aspetos técnicos aperfeiçoam-se, a componente física desenvolve-se praticando. Mas bom senso, ou se tem ou não. Qualidade que também não exibiu no desafio dos Oitavos da Liga dos Campeões que pôs frente-a-frente Arsenal e Barcelona. Robbie van Persie, que já tinha visto um amarelo na primeira parte, foi expulso por ter rematado depois do apito de Busacca. O avançado ainda argumentou que não tinha ouvido mas a decisão foi irrevogável. Embora dentro das regras, foi um excesso de zelo que estragou o desafio. O problema é que Busacca não é único. É raro ver nomes como Curreyt Cakir, Tom Henning Ovrebo ou Wolfgang Stark, ainda no ativo, associados a referências positivas. Errar todos erram, são as reincidências grosseiras que desacreditam as arbitragens.
Na dúvida, beneficia-se o Barcelona
Em particular em jogos a eliminar são de evitar decisões que possam alterar o sentido do jogo, exceto em situações flagrantes. Aliás, o Barcelona tem sido um dos maiores beneficiados por decisões da equipa de arbitragem nos últimos anos. Não entro em teorias de conspiração. Se quase todos se renderam à exuberância do tiki-taka, porque não os árbitros? Talvez sintam que o tipo de futebol dos catalães precisa de alguma proteção das entradas adversárias. A verdade é que os Culés ganharam vários títulos porque foram a melhor equipa da Europa e do Mundo. Não era necessário criar essa sombra.
Convocatória de elite
Para os Quartos da Liga dos Campeões de 2014 a UEFA nomeou quatro árbitros do Grupo de Elite, todos eles representantes dos respetivos países, apontados ao Mundial do Brasil. Felix Brych, um alemão, para apitar um jogo entre espanhóis; um espanhol, Carlos Velasco Carballo, para a partida de Old Trafford entre ingleses e alemães; o inglês Mark Clattenburg vai orientar o Real Madrid – Borussia Dortmund; Milorad Mazic, sérvio, apita o PSG – Chelsea. Brych teve muito trabalho na terça à noite em Camp Nou. Um jogo muito disputado, faltas duras e oito amarelos – dois para o Barcelona e seis para o Atlético. Talvez demasiados para o que se passou em campo mas que se explicam como estratégia para não perder o controlo do jogo. Mas sem casos de monta. Já Velasco Carballo está hoje nos jornais devido à expulsão de Bastian Schweinsteiger, por acumulação de amarelos. As opiniões são quase unânimes, houve falta do alemão mas Wayne Rooney exagerou na queda para forçar o segundo cartão. A inferioridade numérica permitiu ao United resistir à pressão dos Bávaros mas o verdadeiro problema foi ter afastado Schweinsteiger do jogo de Munique.
Boas Apostas!